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  • Kelvin Ribeiro

"Você é livre no momento em que não busca fora de si mesmo alguém para resolver os seus problemas."

Ao construir o arcabouço lógico de toda a sua metodologia filosófica, tem-se, debruçado sobre os estudos Kantianos, a ideia do princípio supremo de moralidade. Tal ponto é crucial para entender a sua deontologia e o sentido prático que a sua filosofia propõe.


Kant viveu no século 18, bebeu do cálice do iluminismo e baseou expressiva parte da sua dogmática filosófica na moral e na ética. Ou seja, evidencia-se o poder valorativo dos seus ensinamentos e o resultado prático na vida individual e coletiva, o qual pode ser entendido como uma dogmática filosófica que norteia pensamentos e comportamentos através da moralidade normativa.


Para ter-se compreendido o sentido de Liberdade através do pensamento do filósofo, faz-se necessário esclarecer um dos conceitos principais do seu esboço filosófico: a autonomia da vontade. É razoável dizer que a espécie humana é a única provida de racionalidade, e, portanto, nasce disso uma autonomia própria da espécie, exemplificada pelas escolhas, comportamentos e pensamentos individuais. Em outras palavras: a razão como princípio norteante e primeiro das ações humanas.


Dentro dessa perspectiva, é notório o foco do objeto de estudo voltar-se para a compreensão da razão e dos seus limites para, então, compreender-se o mundo através das experiências. Isto é, a atenção volta-se para o ser racional e as suas limitações e não para a compreensão externa do mundo e como ele deveria ser. Logo, é fácil compreender o porquê do pensamento Kantiano focar tanto em valores, os quais, na sua máxima transcendental, culminam no princípio supremo de moralidade e resultam em prosperidade, paz e felicidade à sociedade.


"O conhecimento é possível porque o homem possui faculdades que o tornam possível".


"A vontade é uma espécie de causalidade dos seres vivos, enquanto racionais, a liberdade seria a propriedade desta causalidade, pela qual ela pode ser eficiente, independentemente de coisas estranhas que a determinem; assim como necessidade natural é a propriedade da causalidade de todos os seres irracionais de serem determinados à atividade pela influência de coisas estranhas." (KANT, 1974, p. 243).


Dessa maneira, compreendendo a vontade como um produto da racionalidade e a Liberdade como a propriedade máxima dessa causalidade, visto que só é possível pensar em liberdade quando há autonomia e vice e versa. Por conseguinte, através do pensamento deontológico de Immanuel, a autonomia da vontade é um produto da reflexão moral. Isto é, as tomadas de decisões, escolhas e reproduções e criações partem do imperativo categórico moral, o qual é sustentado, substancialmente, pela razão e ética.


Em outras palavras: todas as ações humanas são provocadas pelo arcabouço moral racionalmente construído no ser, princípio normativo da moralidade. Esta construção moral culmina em vontade, ou seja, o comportamento e o pensamento humano serão baseados na máxima motora da moralidade privada - é importante salientar que, a moralidade privada geralmente é influenciada pela moralidade coletiva - e, a liberdade é a propriedade máxima dessa vontade. Pois o valor prático de liberdade no pensamento Kantiano nada mais é que: agir segundo as suas próprias leis, isto é, condição de possibilidade a priori da lei moral e a condição para materializar a vontade, enfatizando-se o significado literal de autonomia, mas, também, não negligenciando o poder da moralidade na construção causal da vontade.


"O conceito de liberdade [...] constitui a pedra angular de todo o edifício de um sistema da razão pura, inclusive a especulativa, e todos os demais conceitos (os de Deus e da imortalidade) que, meras ideias, permanecem desapoiadas na razão especulativa, aliando-se ao mesmo tempo adquirindo e por meio dele consistência e realidade objetivas, isto é, a sua possibilidade fica demonstrada pelo fato de ser liberdade real, já que esta ideia se manifesta por meio da lei moral (KANT, 1959, p. 20).


Finalmente, pode-se ser compreendido que: a espécie humana é dotada de racionalidade, portanto, desenvolve vontade para agir segundo os seus preceitos - sejam objetivos sejam subjetivos - cuja ação é possibilitada pela liberdade e condicionada pela lei moral. Sintetizando de forma simplória: o homem livre, é aquele que vive da pura intenção, condicionada a pura autonomia da vontade, em que a finalidade das suas ações resultam numa boa vontade alicerçada no dever ser, isto é: agir segundo a ética, a moral e o bem, através da reflexão. Além do mais, é importante salientar que a liberdade prática, aquela liberdade real, também é substanciada pela submissão do homem a normas e regras que regulem o tecido social e as quais resultem em paz, estabilidade, justiça e igualdade. Logo, a liberdade é uma propriedade do ser e uma condição pura de existência prática da vida em sociedade.

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