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  • Maria Eduarda Lages

UM OUTRO MODO DE ENXERGAR A POLÍTICA

Conservadorismo, Reacionarismo e Revolucionarismo.

Quais significados podem ter os termos “direita” e “esquerda”, usados em contextos tão diversos e distantes, ora econômico, ora político, ora religioso, ora em relação à condutas?


Esses termos se tornaram tão vagos e imprecisos que perderam seu significado original. Na prática, é impossível entender a política usando termos tão abrangentes.


Historicamente, sempre houve revolucionários, conservadores e reacionários. Durante a Revolução Francesa, na independência americana, na Segunda Guerra Mundial.


Mas isso não quer dizer que um grupo é mais justo do que outro!


O reacionarismo apresenta-se com a idealização de momentos históricos, almejando o retorno de um passado utópico e romantizado. O reacionário defende sempre que se retorne a uma época passada, não apresentando abertura a mudanças, além de se mostrarem intransigentes ao ouvir minorias, já que para esse grupo as minorias não fazem parte do passado, sendo, para eles, a comunidade LGBTQI+ e a busca dos direitos pelas mulheres, por exemplo, apenas frutos da modernidade.


O historiador Mark Lilla afirma que “A mente do reacionário é uma mente náufraga. Onde outros veem o rio do tempo fluir como sempre fluiu, o reacionário vê os restos do paraíso passar diante de seus olhos.”


Dessa forma, o reacionário busca a redenção num passado idílico e romantizado, perdido por culpa da traição de intelectuais, jornalistas e políticos.


É importante afirmar que os reacionários não são conservadores.


O conservador não idealiza o passado, mas reivindica que o status quo seja mantido. Dessa forma, ele crê no progresso dentro de um estado atual das coisas, ele é aberto a mudanças, por meio de reformas, objetivando sempre, dentro do possível, a melhoria material a ser conquistada em uma sociedade.


Entre os conservadores do século 18, destaca-se o filósofo inglês Edmund Burke, que combateu o ateísmo, o racionalismo e defendeu fervorosamente a ordem tradicional que estava em decadência.


Os conservadores também defendem a preservação do sistema econômico, por exemplo, ao contrário do revolucionário, que luta por uma cisão da normalidade por visualizar um desenvolvimento futuro.


O revolucionário encontra a sua redenção numa ordem ideal futura, trazida pela destruição das estruturas em vigor, é alguém favorável a mudanças políticas ou sociais, acreditando no progresso por meio de transformações grandiosas.


As perspectivas revolucionárias ganharam espaço na política mundial no século XX, principalmente nos países mais pobres, de modo que houve, neste século, inúmeras revoluções, como a Revolução Russa em 1917, a da China em 1949, além de tentativas revolucionárias na França em 1968.


Um grande revolucionário foi Mahatma Gandhi, na Índia, que com a sua política de não violência, mobilizou a opinião pública internacional e desenvolveu, no país, condições para a independência depois de nove décadas de dominação inglesa.


Outro exemplo é a revolucionária Angela Davis, filósofa e ativista norte-americana, desde a década de 1960. É uma intelectual de destaque no cenário político atual revolucionário. Dentre suas ideias, estão: a abolição dos presídios, a resistência e, principalmente, a luta negra contra o racismo associada à ligação entre racismo e violência sexual, bem como a intersecção existente entre raça, classe e gênero, muito presente no feminismo interseccional de hoje.


Assim, a redução da política em um eixo tão simplista quanto o “esquerda-direita” perdeu seu significado no mundo moderno e, embora esses termos continuem a ser utilizados, eles reduzem a essas duas palavras polarizadoras que já possuem significados distorcidos, todo um espectro mais complexo que tenta combinar as dimensões políticas, econômicas e sociais. Logo, hoje, é muito importante entender o significado desses outros termos que fazem parte do grande e diverso espectro político.



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